{"id":752,"date":"2024-01-26T23:16:48","date_gmt":"2024-01-27T02:16:48","guid":{"rendered":"https:\/\/mesaismo.com.br\/?page_id=752"},"modified":"2024-01-27T08:56:13","modified_gmt":"2024-01-27T11:56:13","slug":"a-teoria-de-szondi-para-a-politica","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/mesaismo.com.br\/index.php\/politica-mitologia-e-inconsciente-coletivo\/a-teoria-de-szondi-para-a-politica\/","title":{"rendered":"A teoria de Szondi para a pol\u00edtica"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-755\" src=\"http:\/\/mesaismo.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Bom-e-Mal.jpg\" alt=\"\" width=\"1082\" height=\"810\" \/><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">A principal cren\u00e7a da polariza\u00e7\u00e3o cultural humana \u00e9 a luta entre o Bem e o Mal e todos acreditam que \u201cum dia o Bem vencer\u00e1 o Mal\u201d e que todos est\u00e3o \u201cdo lado do Bem\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Historicamente para o Ocidente a primeira cultura que trouxe esta ideia foi o Zoroastrismo, com poss\u00edveis ra\u00edzes datando do II mil\u00eanio a.C., e que entrou na hist\u00f3ria registrada por volta de meados do s\u00e9culo VI a.C. Serviu como religi\u00e3o oficial dos antigos imp\u00e9rios iranianos por mais de um mil\u00eanio mas declinou a partir do s\u00e9culo VII como resultado direto da conquista \u00e1rabe-mu\u00e7ulmana da P\u00e9rsia (633\u2013654), o que levou \u00e0 persegui\u00e7\u00e3o em larga escala do povo zoroastriano.<sup>1<\/sup><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">O Zoroastrismo tem uma cosmologia dualista de bem e mal, mas dentro da estrutura de uma ontologia monote\u00edsta e uma escatologia que prediz a conquista final do mal pelo bem. Conforme esta religi\u00e3o o profeta Zoroastro recebeu a revela\u00e7\u00e3o que o deus Ahura Mazda estava em batalha contra o deus Arim\u00e3. Este era um deus mal, enquanto aquele era um deus bom. Conforme aquela religi\u00e3o, no \u2018Fim dos Tempos\u2019 a luta entre os deus ser\u00e1 marcada pela vit\u00f3ria de deus Arim\u00e3 e os que seguirem o caminho do mal receber\u00e3o como castigo o inferno. Por isso futuramente o deus Arim\u00e3 foi associado ao Satan\u00e1s judaico, o L\u00facifer crist\u00e3o e ao \u00cdblis isl\u00e2mico.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">O zoroastrismo exaltava a divindade incriada e benevolente Ahura Mazda (&#8216;Senhor da Sabedoria&#8217;) como seu ser supremo. Historicamente, as caracter\u00edsticas \u00fanicas do zoroastrismo, como seu monote\u00edsmo, messianismo, cren\u00e7a no livre arb\u00edtrio e julgamento ap\u00f3s a morte, concep\u00e7\u00e3o de c\u00e9u, inferno, anjos e dem\u00f4nios, entre outros conceitos, podem ter influenciado outros sistemas religiosos e filos\u00f3ficos, incluindo as religi\u00f5es abra\u00e2micas (Juda\u00edsmo, Cristianismo e Islamismo) e o Gnosticismo, o Budismo e a filosofia grega.<sup>1<\/sup><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Esta dualidade entre o Bem e o Mal se refletiu tamb\u00e9m na busca de respostas na Filosofia ocidental com o fil\u00f3sofo ingl\u00eas Thomas Hobbes (1588-1679) dizendo que \u201cos homens s\u00e3o maus por natureza (\u2018o homem \u00e9 o lobo do pr\u00f3prio homem\u2019), pois possuem um poder de viol\u00eancia ilimitado\u201d e o fil\u00f3sofo su\u00ed\u00e7o Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) dizendo que \u201co ser humano nasce bom e a sociedade o corrompe\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Esta cren\u00e7a na polariza\u00e7\u00e3o \u201cBem x Mal\u201d absolutos se resolve facilmente pela compreens\u00e3o de que isso \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o cultural e que o bem e o mal se misturam em espectros infinitos: o ser humano nasce com predisposi\u00e7\u00f5es tanto para a bondade quanto para a maldade e que se apresentam com express\u00f5es culturais, locais e temporais dependentes de cada situa\u00e7\u00e3o e indiv\u00edduo!<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">O que existe \u00e9 uma interse\u00e7\u00e3o entre a Biologia e a Cultura, em graus complexos e din\u00e2micos. Antigamente havia a ideia da \u201ct\u00e1bula rasa\u201d, onde as pessoas nasciam como um \u201cquadro em branco\u201d e as suas experi\u00eancias de vida imprimiriam as suas caracter\u00edsticas posteriores (o aprendizado). T\u00e1bula rasa \u00e9 a tradu\u00e7\u00e3o para a express\u00e3o em latim \u2018tabula rasa\u2019, que significa literalmente \u201ct\u00e1bua raspada\u201d, e tem o sentido de \u201cfolha de papel em branco\u201d.<sup>2<\/sup><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Como met\u00e1fora, o conceito de t\u00e1bula rasa foi utilizado por Arist\u00f3teles (em oposi\u00e7\u00e3o a Plat\u00e3o) e difundido principalmente por Alexandre de Afrod\u00edsias, para indicar uma condi\u00e7\u00e3o em que a consci\u00eancia \u00e9 desprovida de qualquer conhecimento inato &#8211; tal como uma folha em branco, a ser preenchida. Esta ideia continuou a ser desenvolvida pela filosofia da Gr\u00e9cia Antiga; a epistemologia da escola estoica enfatiza que a mente inicia vazia, mas adquire conhecimento \u00e0 medida que o mundo exterior a impressiona.<sup>2<\/sup><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Este argumento da t\u00e1bula rasa foi usado pelo fil\u00f3sofo ingl\u00eas John Locke (1632-1704), considerado como o protagonista do Empirismo e do Liberalismo. Locke detalhou a tese da t\u00e1bula rasa em seu livro \u201cEnsaio acerca do Entendimento Humano\u201d, de 1690. Para ele, todas as pessoas nascem sem conhecimento algum (i.e. a mente \u00e9, inicialmente, como uma \u201cfolha em branco\u201d), e todo o processo do conhecer, do saber e do agir \u00e9 aprendido atrav\u00e9s da experi\u00eancia. A partir do s\u00e9culo XVII, o argumento da t\u00e1bula rasa foi importante n\u00e3o apenas do ponto de vista da filosofia do conhecimento, ao contestar o Inatismo de Descartes, mas tamb\u00e9m do ponto de vista da filosofia pol\u00edtica, ao defender que, n\u00e3o havendo ideias inatas, todos os homens nascem iguais. Forneceu assim a base da cr\u00edtica ao Absolutismo e da contesta\u00e7\u00e3o do poder como um direito divino ou como atributo inato.<sup>2<\/sup><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Opondo-se a Hobbes, Locke acreditava que se tratando de Estado-natureza, os homens n\u00e3o vivem de forma b\u00e1rbara ou primitiva. Para ele, h\u00e1 uma vida pac\u00edfica explicada pelo reconhecimento dos homens por serem livres e iguais.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Na Psicologia os tr\u00eas nomes mais importantes ligados a este tema s\u00e3o: Sigmund Freud (1856 &#8211; 1939), Carl Jung (1875 &#8211; 1961) e Leopold Szondi (1893 &#8211; 1986).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Estes psic\u00f3logos trouxeram o conceito de v\u00e1rios n\u00edveis do inconsciente humano: 1. O Biogr\u00e1fico, a partir das experi\u00eancias pessoais (Freud), 2. O Coletivo (Jung) e 3. O gen\u00e9tico familiar (Szondi).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Freud, o \u201cPai da Psican\u00e1lise\u201d acreditava que j\u00e1 nascemos com alguma coisa semelhante ao Inconsciente Coletivo de Jung\u00a0 Nenhuma outra parte da teoria de Freud foi mais criticada e rejeitada do que a ideia da sobreviv\u00eancia da \u201cheran\u00e7a arcaica.\u201d A civiliza\u00e7\u00e3o, ou a cultura, para Freud, \u00e9 determinada n\u00e3o s\u00f3 pelas disposi\u00e7\u00f5es e instintos, mas, tamb\u00e9m, atrav\u00e9s de conte\u00fados ideacionais provenientes da mem\u00f3ria das experi\u00eancias de gera\u00e7\u00f5es anteriores. O indiv\u00edduo humano ainda se encontra em identidade arcaica com a esp\u00e9cie. Freud tentou reconstruir a pr\u00e9-hist\u00f3ria da humanidade, baseado inclusive nos trabalhos de Darwin, que falaram da horda primitiva e do assassinato dos pais desp\u00f3ticos que dominavam essas hordas. Para ele, os machos jovens se uniram e assassinaram o pai tir\u00e2nico e depois, em grande regozijo, se permitiram todas as liberdades negadas pela for\u00e7a f\u00edsica do pai com as mulheres do grupo. Seguiram-se lutas fratricidas e o advento de desgra\u00e7as coletivas. Embora prevalecesse o \u00f3dio, o sentimento em rela\u00e7\u00e3o ao pai era ambivalente e, pouco a pouco, os sentimentos positivos foram aparecendo. Este sentimento, e os temores que o pai mesmo morto pudesse emergir e vingar-se, produziram o totemismo, a primeira religi\u00e3o. Com a repeti\u00e7\u00e3o destes fatos em in\u00fameras hordas, o pai morto adquiriu, com o tempo, a dimens\u00e3o de um esp\u00edrito sobrenatural, concomitantemente amado e odiado. Os homens, ap\u00f3s um sem n\u00famero de repeti\u00e7\u00f5es catastr\u00f3ficas destes eventos, e levados por temores intensos, sentimentos de culpa e desejos de repara\u00e7\u00e3o, foram guiados a um pacto coletivo, o primeiro c\u00f3digo moral.\u00a0 Freud sup\u00f5e que o crime primordial \u2013 o parric\u00eddio e o sentimento de culpa que lhe \u00e9 concomitante, reproduzem-se em formas modificadas ao longo da hist\u00f3ria: no confronto das velhas e das novas gera\u00e7\u00f5es, nas revolu\u00e7\u00f5es e nas rebeli\u00f5es contra as autoridades estabelecidas. O pecado original captado por Paulo, o judeu romano, seria a mem\u00f3ria arcaica deste crime \u2013 o parric\u00eddio, que n\u00e3o foi contra Deus e sim contra o Homem e que n\u00e3o foi pecado porque foi cometido contra um que era, ele pr\u00f3prio culpado: o pai desp\u00f3tico.<sup>3<\/sup><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">E segundo Jung o Inconsciente Coletivo n\u00e3o deve sua exist\u00eancia \u00e0s experi\u00eancias pessoais; ele n\u00e3o \u00e9 adquirido individualmente. Jung faz a distin\u00e7\u00e3o: o Inconsciente Pessoal \u00e9 representado pelos sentimentos e ideias reprimidas, desenvolvidas durante a vida de um indiv\u00edduo. O inconsciente coletivo n\u00e3o se desenvolve individualmente, ele \u00e9 herdado. \u00c9 um conjunto de sentimentos, pensamentos e lembran\u00e7as compartilhadas por toda a humanidade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">O inconsciente coletivo \u00e9 um reservat\u00f3rio de imagens latentes, chamadas de arqu\u00e9tipos ou imagens primordiais, que cada pessoa herda de seus ancestrais. A pessoa n\u00e3o se lembra das imagens de forma consciente, por\u00e9m, herda uma predisposi\u00e7\u00e3o para reagir ao mundo da forma que seus ancestrais faziam. Sendo assim, a teoria estabelece que o ser humano nasce com muitas predisposi\u00e7\u00f5es para pensar, entender e agir de certas formas. Por exemplo, o medo de cobras pode ser transmitido atrav\u00e9s do inconsciente coletivo, criando uma predisposi\u00e7\u00e3o para que uma pessoa tema as cobras. No primeiro contato com uma cobra, a pessoa pode ficar aterrorizada, sem ter tido uma experi\u00eancia pessoal que causasse tal medo, e sim derivando o pavor do inconsciente coletivo. Mas nem sempre as predisposi\u00e7\u00f5es presentes no inconsciente coletivo se manifestam t\u00e3o facilmente.<sup>4<\/sup><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Mas a vis\u00e3o mais aceita atualmente no meio cient\u00edfico \u00e9 de que h\u00e1 uma complementaridade entre a biologia e a cultura. Ou seja: todas as pessoas t\u00eam certos aspectos naturais\/predisposi\u00e7\u00f5es e tamb\u00e9m tem a cultura, o aprendizado em sociedade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Eu costumo dizer que \u201ca Realidade do Universo \u00e9 a soma de todos os conhecimentos que j\u00e1 possu\u00edmos e de todos que ainda iremos descobrir\u201d e que \u201co ser humano \u00e9 a soma de todas as teorias que existem e de todas que ainda ser\u00e3o descobertas\u201d. Este entendimento, baseado na Teoria da Complexidade, estarei desenvolvendo no conceito que chamo de \u201cMultimatrix\u201d em outro canal!<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Nesta quest\u00e3o da Complexidade podemos olhar para a polariza\u00e7\u00e3o do Bem x Mal em duas dimens\u00f5es:<\/span><\/p>\n<ol>\n<li><span style=\"color: #000000;\"><strong>Metaf\u00edsica,<\/strong> no sentido religioso do termo, com as polaridades \u201cDeus x Diabo\u201d e \u201canjos x dem\u00f4nios\u201d. Para a maioria da Humanidade tudo se resume a esta dualidade, onde nos encaixamos como \u201calmas\u201d ou \u201cesp\u00edritos\u201d criados \u201c\u00e0 imagem e semelhan\u00e7a de Deus\u201d e encarnados nesta Terra onde se desenrola o nosso drama pessoal e coletivo. O que todos precisamos fazer \u00e9 escolhermos o lado do Bem e lutarmos contra o Mal, que tenta nos iludir e atrair e nos prender em sofrimentos eternos depois da morte. Para as religi\u00f5es reencarnacionistas, a escolha do Mal gera \u201cdor e sofrimento\u201d, como na m\u00e1xima budista, com sucessivas vidas at\u00e9 aprendermos a escolher o lado certo do amor, da bondade e do altru\u00edsmo.<\/span><\/li>\n<li><span style=\"color: #000000;\"><strong>F\u00edsica,<\/strong> no sentido material do Universo com suas complexas leis e no sentido das Sociedades que formamos, dos Estados e das nossas rela\u00e7\u00f5es com o Meio ambiente. Aqui aprendemos que somos mais fortes quando nos unimos para vencermos as dificuldades materiais e as tribos inimigas. E por isso nos agrupamos em fam\u00edlias, cl\u00e3s, tribos, povos, na\u00e7\u00f5es e Estados. E a trag\u00e9dia \u00e9 que todos temos certeza que estamos do lado certo do Bem, do justo e do \u00e9tico! O inimigo \u00e9 sempre \u201co outro\u201d, o diferente. \u00a0<\/span><\/li>\n<\/ol>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Finalmente, para fechar esta p\u00e1gina, vou comentar a teoria da \u201cPsicologia do Destino\u201d do m\u00e9dico, psic\u00f3logo, psiquiatra e endocrinologista nascido na Hungria, em 11\/03\/1893. Partindo de suas pesquisas com pacientes psiqui\u00e1tricos ele estabeleceu a sua \u201c<em>teoria biogen\u00e9tica das puls\u00f5es<\/em>\u201d<em>, <\/em>e desenvolveu um sistema de avalia\u00e7\u00e3o restabelecendo a unidade entre a Psicologia e a Biologia, denominado \u201cAn\u00e1lise do Destino\u201d. Aqui, \u201c<em>destino \u00e9 o conjunto das possibilidades, herdadas e livremente eleg\u00edveis, que nossa exist\u00eancia oferece<\/em>\u201d<em>.<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Para Szondi, o inconsciente humano deveria ser analisado nas 03 camadas j\u00e1 citadas: 1. <strong><em>Inconsciente Pessoal<\/em><\/strong> (Freud), que inclui todas as manifesta\u00e7\u00f5es pulsionais, pessoais e reprimidas. 2. <strong><em>Inconsciente Coletivo<\/em><\/strong> (Jung), com todos os arqu\u00e9tipos humanos. 3. <strong><em>Inconsciente Familiar<\/em><\/strong> (Szondi), com as pretens\u00f5es espec\u00edficas dos ancestrais.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Assim, cada ser humano traz, j\u00e1 ao nascer, \u201cmoldes\u201d ou \u201cfiguras\u201d ancestrais inconscientes como padr\u00f5es de comportamento: os antepassados, carregados no patrim\u00f4nio heredit\u00e1rio esfor\u00e7am-se por\u00a0 manifestarem-se (\u201c<em>pretens\u00e3o dos ancestrais<\/em>\u201d).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">A An\u00e1lise do Destino \u00e9, pois, uma tend\u00eancia da Psicologia Profunda que procura, antes de tudo, \u201c<em>tornar conscientes os apelos ancestrais inconscientes.<\/em> Por ela, a pessoa <em>\u00e9 levada a confrontar-se com as possibilidades que seu destino lhe oferece e posto diante da alternativa de escolha de uma vida pessoal mais adequada<\/em>\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Os fatores que condicionam o destino compulsivo (coercitivo\/obrigat\u00f3rio) s\u00e3o: 1. Fun\u00e7\u00f5es heredit\u00e1rias dos gens; 2. Fun\u00e7\u00f5es pulsionais e afetivas; 3. Fun\u00e7\u00f5es sociais; 4. Ambiente mental ou cosmoconceitual em que a pessoa nasceu, por for\u00e7a do destino.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">J\u00e1 os fatores que condicionam o destino de livre escolha s\u00e3o: 1. Fun\u00e7\u00f5es do ego; 2. Fun\u00e7\u00f5es da mente. Estas fun\u00e7\u00f5es interagem e completam-se rec\u00edproca e dialeticamente, condicionando e configurando o destino do indiv\u00edduo. Se estas fun\u00e7\u00f5es se paralisam, o destino torna-se coercitivo; se elas se movem, entretanto, pela for\u00e7a do ego, ele \u00e9 de livre escolha: \u201c<em>O ego \u00e9 o executor da escolha<\/em>\u201d<em>.<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Para quem questiona ou quer estudar mais profundamente a quest\u00e3o da gen\u00e9tica relacionada ao comportamento, eu cito um resumo de estudos nesta \u00e1rea:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">\u201cO risco de TAPS (Transtorno de Personalidade Antosocial) \u00e9 em grande parte devida a fatores gen\u00e9ticos, mais do que o ambiente compartilhado &#8230; O risco de TAPS \u00e9 aumentado em cinco vezes para pacientes do primeiro grau de homens com TAPS, seja vivendo juntos ou adotados separados&#8230; Uma metan\u00e1lise de 51 estudos de g\u00eameos e de ado\u00e7\u00e3o de comportamento antissocial encontrou evid\u00eancia de influ\u00eancias do ambiente compartilhado (15%), como tamb\u00e9m efeitos gen\u00e9ticos significativos (30%) &#8230; Um tipo de transtorno de personalidade antissocial chamado de psicopatia tornou-se recentemente o alvo da pesquisa gen\u00e9tica&#8230; Um relato de seguimento tamb\u00e9m evidenciou\u00a0 que a sobreposi\u00e7\u00e3o entre personalidade psicop\u00e1tica\u00a0 e comportamento antissocial \u00e9 em grande parte de origem gen\u00e9tica.\u201d<sup>5<\/sup><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">\u00a0\u201cO melhor estudo de g\u00eameos do comportamento criminal incluiu g\u00eameos nascidos na Dinamarca de 1881 a 1910. Foi encontrada evidencia de influencia para condena\u00e7\u00f5es criminais em mais de mil pares de g\u00eameos, com uma concord\u00e2ncia global de 52% para os g\u00eameos id\u00eanticos do sexo masculino e 30% para g\u00eameos fraternos do sexo masculino. &#8230; Em 13 estudos de g\u00eameos sobre a criminalidade adulta, os id\u00eanticos s\u00e3o consistentemente mais parecidos do que os fraternos. As concord\u00e2ncias medias para g\u00eameos id\u00eanticos e fraternos s\u00e3o 52% e 21%, respectivamente.\u201d<sup>6<\/sup>\u00a0 \u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Szondi, para fins pr\u00e1ticos, dividiu os perfis humanos em diferentes \u201cClasses\u201d que chamou de \u201cVetores\u201d, compostos em n\u00famero de quatro, que s\u00e3o: (S) &#8211; Vetor da \u201cSexualidade\u201d; (P) &#8211; Vetor \u201cParoxismal\u201d ou dos \u201cAfetos\u201d ou ainda chamado de \u201cSurpresa\u201d; (E) &#8211; Vetor do \u201cEgo\u201d, s\u00edntese da personalidade; (C) &#8211; Vetor do \u201cContato\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Estes Vetores instintivos s\u00e3o constitu\u00eddos por \u201cquatro instintos ou aprioris independentes, primitivos, inerentes a cada pessoa, em quantidade e qualidade, e individualmente vari\u00e1veis, como possibilidade de destino\u201d. Os quatro instintos b\u00e1sicos para ele, comparando com Freud, s\u00e3o: o sexual (ID), de surpresa, parox\u00edstico ou crise (Super Ego), do Eu (Ego), e de contato social (ID).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">O vetor S ou da sexualidade, \u00e9 formado pelo instinto sexual, que repercute na vida sexual, prefer\u00eancias sexuais, mundo das percep\u00e7\u00f5es, sublima\u00e7\u00f5es culturais ou civilizadoras, ternura versus agress\u00e3o, ou mitologicamente Merc\u00fario ou Hermes ou Eros x Thanatos (ID).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">O vetor P &#8211; paroxismal ou instinto de surpresa, \u00e9 a \u00e1rea dos afetos, crises, ang\u00fastias, fobias, senso \u00e9tico-moral, bem x mal, senso de valor, supervaloriza\u00e7\u00e3o x desvaloriza\u00e7\u00e3o, religiosidade e intelig\u00eancia (Super Ego).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">O vetor SCH &#8211; Ego, \u00e9 formado pelo instinto do Eu ou Ego. \u00c9 a s\u00edntese dos demais instintos, ou forma os tipos de Eu, \u00e9 a integra\u00e7\u00e3o entre o Super-Ego e o Id que se expressa, pelo Ego (Ego).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">E o vetor C de contato, ou instinto de contato, que \u00e9 a \u00e1rea dos relacionamentos, da aten\u00e7\u00e3o das liga\u00e7\u00f5es (ID).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Para os efeitos da teoria do Mesa\u00edsmo e da presen\u00e7a dos l\u00edderes patol\u00f3gicos ao longo da hist\u00f3ria humana, os pensamentos de Szondi s\u00e3o muito adequados neste momento no que concerne \u00e0 \u201cpuls\u00e3o sadomasoquista\u201d do Instinto Sexual e \u00e0 \u201cpuls\u00e3o epil\u00e9ptica\u201d do Vetor Paroxismal:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>Eros e Thanatos &#8211; O Instinto Sexual. O Vetor <em>S<\/em>.<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>A ess\u00eancia e a psicologia do Fator Thanatos <em>s.<\/em><\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><em>A ess\u00eancia do fator <\/em>\u201c<em>s<\/em>\u201d<em> se radica na necessidade de destrui\u00e7\u00e3o e de autodestrui\u00e7\u00e3o, de sadismo e masoquismo, de atividade e passividade.<\/em> \u00c9 o fator sadomasoquista no sistema instintivo da an\u00e1lise do destino, o radical da destrui\u00e7\u00e3o. Seu sinal vetorial <em>s<\/em> prov\u00e9m de sadismo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">A for\u00e7a que desune com viol\u00eancia as uni\u00f5es existentes, que desfaz sem considera\u00e7\u00e3o as maiores unidades de vida, que rompe brutalmente fus\u00f5es er\u00f3ticas, que continuamente atua contra qualquer trabalho de unifica\u00e7\u00e3o, que despeda\u00e7a a unidade e deseja a morte para tudo o que vive e de pronto \u00e9 capaz de origin\u00e1-la, esta for\u00e7a instintiva brutal e assassina se agita no fator <em>s.<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">N\u00e3o existem no mundo a decomposi\u00e7\u00e3o nem a desintegra\u00e7\u00e3o, a destrui\u00e7\u00e3o nem a desmembra\u00e7\u00e3o, a dor e a morte, o crime e o suic\u00eddio sem a coopera\u00e7\u00e3o do fator <em>s.<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">\u00c9 o mais poderoso entre todos os elementos destrutivos e desintegrante; \u00e9 o mais horr\u00edvel de todos os espectros angustiosos; \u00e9 o poder mais brutal de todas as pot\u00eancias mortais; \u00e9 o que desde tempos imemoriais produz invas\u00f5es e guerras na vida dos povos e todas as guerras internas na vida de cada indiv\u00edduo.<sup>7<\/sup><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>An\u00e1lises das rea\u00e7\u00f5es <em>s<\/em> ambivalentes: \u00b1 <em>s<\/em><\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Em ess\u00eancia esta rea\u00e7\u00e3o significa o <em>sadomasoquismo<\/em>, e precisamente n\u00e3o s\u00f3 na vida sexual, sen\u00e3o em todos os aspectos de vida. No sexo, o prazer do sadomasoquista baseia-se em golpear e ser golpeado. Na vida cotidiana domina sempre a pergunta: \u201c<em>Quem est\u00e1 encima<\/em>?\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Se por fim nesta associa\u00e7\u00e3o sadomasoquista um logrou, com sua brutalidade atual, o posto de homem superior, ent\u00e3o o outro, naturalmente, toma o posto do homem inferior, que se deixa torturar pelo mais forte. Por\u00e9m no momento que este companheiro maltratado descobre que seu competidor se debilita, imediatamente toma o posto de sadista, e desde este instante martiriza ao que at\u00e9 ent\u00e3o havia sido o torturador. Este jogo alternado leva a uma cadeia sadomasoquista de ferro forjado.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Em lugar da uni\u00e3o pelo <em>Eros<\/em> (Amor) entrou, pelo sadomasoquismo, o<em> Thanatos <\/em>(Morte). Naturalmente que esta classe de \u201cuni\u00e3o\u201d \u00e9 anormal e com frequ\u00eancia cheia de disputas, de t\u00e9tricos e refinados mart\u00edrios, de astutos e mudos sofrimentos. Se um estranho deseja romper esta rela\u00e7\u00e3o \u201cverdugo e v\u00edtima\u201d, ent\u00e3o lhe atacar\u00e3o imediatamente com brutalidade ambos os companheiros <em>viribus unitis<\/em>. E assim vivem, ano ap\u00f3s ano, ligados a esta cadeia sadomasoquista, juntos como gal\u00e9s (for\u00e7ados): <em>m\u00e3e e filha<\/em>, pai e filho, m\u00e3e e filho, pai e filha, marido e mulher, patr\u00e3o e empregado, etc.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Quase n\u00e3o se lhes pode ajudar, inclusive muitas vezes nem com um tratamento de psicoterapia profunda. Sua vida instintiva afastou-se da vida do Eros pela do Thanatos e tornaram-se incapazes de compreender que est\u00e3o unidos com um la\u00e7o instintivo \u201cfalso\u201d, que paulatinamente destr\u00f3i a ambos. A causa deste afastamento na uni\u00e3o \u00e9 quase sempre a fuga do amor incestuoso.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Com frequ\u00eancia se reconhece aos sadomasoquistas por dois tra\u00e7os caracterol\u00f3gicos em seu comportamento: 1\u00ba., pela <em>afeta\u00e7\u00e3o<\/em>, e 2\u00ba., por <em>suas extravag\u00e2ncias<\/em>. Ambos s\u00e3o sintomas de compensa\u00e7\u00e3o de uma uni\u00e3o incestuosa reprimida.<sup>8<\/sup><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Aqui podemos ver claramente a explica\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica da famosa passagem do Manifesto Comunista de Marx e Engels:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">\u201cA hist\u00f3ria de toda a sociedade at\u00e9 aqui \u00e9 a hist\u00f3ria de lutas de classes. Homem livre e escravo, patr\u00edcio e plebeu, bar\u00e3o e servo, burgueses de corpora\u00e7\u00e3o e oficial, em suma, opressores e oprimidos, estiveram em constante oposi\u00e7\u00e3o uns aos outros, travaram uma luta ininterrupta, ora oculta ora aberta, uma luta que de cada vez acabou por uma reconfigura\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria de toda a sociedade ou pelo decl\u00ednio comum das classes em luta.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Bingo! Que resumo fant\u00e1stico da teoria sadomasoquista de Szondi (\u201c<em>Quem est\u00e1 encima<\/em>?\u201d) na hist\u00f3ria da humanidade por Marx (\u201copressores e oprimidos\u201d)!<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">A conclus\u00e3o aqui \u00e9 que a Humanidade sempre foi movida pelo desejo de \u201cPoder sobre o outro\u201d, num eterno jogo sadomasoquista onde o oprimido n\u00e3o \u00e9 a v\u00edtima, mas a parte momentaneamente mais fraca desta rela\u00e7\u00e3o m\u00f3rbida!<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Diz Szondi: \u201cSe por fim nesta associa\u00e7\u00e3o sadomasoquista um logrou, com sua brutalidade atual, o posto de homem superior, ent\u00e3o o outro, naturalmente, toma o posto do homem inferior, que se deixa torturar pelo mais forte. Por\u00e9m no momento que este companheiro maltratado descobre que seu competidor se debilita, imediatamente toma o posto de sadista, e desde este instante martiriza ao que at\u00e9 ent\u00e3o havia sido o torturador. Este jogo alternado leva a uma cadeia sadomasoquista de ferro forjado.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">E completa Marx, dizendo: \u201cOpressores e oprimidos, estiveram em constante oposi\u00e7\u00e3o uns aos outros, travaram uma luta ininterrupta, ora oculta ora aberta, uma luta que de cada vez acabou por uma reconfigura\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria de toda a sociedade ou pelo decl\u00ednio comum das classes em luta.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Vemos esta invers\u00e3o de polaridade sadomasoquista sempre que os oprimidos se fortalecem a ponto de derrubarem os seus opressores: eles se tornam os novos opressores e muitas vezes s\u00e3o piores que os antigos algozes, pelo \u00f3dio acumulado em anos de opress\u00e3o. Vimos isso no \u201cRegime do Terror\u201d da Revolu\u00e7\u00e3o Francesa e nos 100 milh\u00f5es de mortos nas Revolu\u00e7\u00f5es Comunistas do s\u00e9culo XX!<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Olha esta frase do famoso anarquista russo Michail Bakunin:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">\u201cAssim, sob qualquer \u00e2ngulo que se esteja situado para considerar esta quest\u00e3o, chega-se ao mesmo resultado execr\u00e1vel: o governo da imensa maioria das massas populares se faz por uma minoria privilegiada. Essa minoria, por\u00e9m, dizem os marxistas, compor-se-\u00e1 de oper\u00e1rios. Sim, com certeza, de antigos oper\u00e1rios, mas que, t\u00e3o logo se tornem governantes ou representantes do povo, cessar\u00e3o de ser oper\u00e1rios e p\u00f4r-se-\u00e3o a observar o mundo prolet\u00e1rio de cima do Estado; n\u00e3o mais representar\u00e3o o povo, mas a si mesmos e suas pretens\u00f5es de govern\u00e1-lo. Quem duvida disso n\u00e3o conhece a natureza humana.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">\u201cQuem duvida disso n\u00e3o conhece a natureza humana.\u201d E quem conhece? Qual teoria explica a natureza humana? Eu digo: \u201cnenhuma delas, mas todas elas juntas\u201d!<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">O Mesa\u00edsmo se prop\u00f5e a aceitar e acolher todas as teorias que existem e todas as que surgirem, aumentando o seu volume de conhecimento, mas sem dar prioridade ou \u201ccar\u00e1ter de Verdade\u201d a nenhuma delas!<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Qual das partes \u00e9 o Ser Humano? Seus membros, ossos e tecidos, \u00f3rg\u00e3os, instintos, emo\u00e7\u00f5es, sentimentos, pensamentos, alma\/esp\u00edrito?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">E agora a outra parte da teoria do Szondi que fala sobre a dualidade Bem x Mal, no mito do Caim x Abel:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>Ess\u00eancia e na psicologia do Fator \u00c9tico <em>e<\/em><\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Em ess\u00eancia o fator \u00e9tico <em>e<\/em> \u00e9 a causa tanto de todas as a\u00e7\u00f5es afetivas grosseiras, do mal do homem <em>Caim<\/em>, assim como de todos os atos \u00e9ticos do bom, do justo, do homem <em>Mois\u00e9s<\/em>, que d\u00e1 ao povo ordens contra o crime e mandamentos para fazer o bem. Mois\u00e9s \u00e9 o Caim \u201cabelizado\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">O <em>fator instintivo<\/em> \u201c<em>e<\/em>\u201d \u00e9 o que pode transformar ao homem por ira e \u00f3dio, por c\u00f3lera e por vingan\u00e7a, por inveja e ci\u00fames, em homicida por afetos grosseiros; o que instiga ao homem armazenar suas emo\u00e7\u00f5es at\u00e9 arrebentar para descarreg\u00e1-las depois de repente, a modo de explos\u00e3o, <em>por surpresa<\/em>, sobre seus pr\u00f3ximos; o que p\u00f5e a m\u00e3o estranguladora de \u201cCaim\u201d &#8211; em lugar do irm\u00e3o &#8211; sobre os pr\u00f3prios vasos do c\u00e9rebro, do cora\u00e7\u00e3o, dos instintos e das extremidades e converte, portanto, ao homem em <em>um enfermo de ataques<\/em>, \u201c<em>homo paroxismal<\/em>\u201d; o que &#8211; em lugar do inimigo, o que desejaria a\u00e7oitar at\u00e9 deixar-lhe morado (da cor da amora) &#8211; cobre sua pr\u00f3pria pele com \u201cerup\u00e7\u00f5es\u201d; o que entorpece a l\u00edngua do homem ao falar at\u00e9 faz\u00ea-lo gaguejar; o que causa os atrozes medos pela noite e o dia, este fator aterrador \u00e9 o fator <em>e.<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Por\u00e9m, por outra parte, este mesmo fator <em>e<\/em> \u00e9 aquela inst\u00e2ncia que desperta <em>a consci\u00eancia<\/em> do homem, pro\u00edbe a impaci\u00eancia e o homic\u00eddio, p\u00f5e preceitos para o comportamento \u00e9tico da Humanidade, o que impulsiona ao homem \u201cCaim\u201d &#8211; que habita eternamente em n\u00f3s &#8211; \u00e0 paci\u00eancia e \u00e0 justi\u00e7a, \u00e0 piedade e \u00e0 compaix\u00e3o, o que cura aos enfermos e o que funda religi\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">N\u00e3o h\u00e1 nada no mundo, no agir do mal e do bem, na falta de consci\u00eancia e escrupulosidade, no trato com impaci\u00eancia e com paci\u00eancia, na anarquia, legisla\u00e7\u00e3o e legalidade, na inunda\u00e7\u00e3o de afetos e em estar livres de todos os arrebatamentos grosseiros, na causa e na cura de feridas, sem o fator <em>e.<\/em> O fator <em>e<\/em> (epileptiforme) pode fazer da pessoa tanto um homem \u201cCaim\u201d como tamb\u00e9m um homem \u201cMois\u00e9s\u201d com as t\u00e1buas da Lei.<sup>9<\/sup><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/span><span style=\"color: #000000;\"><strong>An\u00e1lise das rea\u00e7\u00f5es negativas <em>e<\/em> (- <em>e<\/em>)<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">A nega\u00e7\u00e3o hipert\u00f4nica <em>e<\/em> indica-nos sempre um estancamento sumamente perigoso dos afetos grosseiros. A explos\u00e3o pode surgir de repente e se produz um ato afetivo irrevog\u00e1vel ou um ataque. Uma intranquilidade de ascens\u00e3o paroxismal ou uma cara cerrada furiosa, aparentemente sem motivo, com olhos fixos cintilantes, podem anunciar algumas vezes a tormenta que se avizinha; por\u00e9m estes sintomas, na maioria dos casos, n\u00e3o se apresentam e o arrebatamento afetivo precipita-se em dire\u00e7\u00e3o ao pr\u00f3ximo t\u00e3o de repente e inesperadamente como um raio. Com frequ\u00eancia at\u00e9 um copo de \u00e1lcool ou uma palavra inadvertida de parte do ambiente e o ato afetivo \u00e9 produzido j\u00e1 irrevogavelmente. O psic\u00f3logo cl\u00ednico tem que pensar tamb\u00e9m, naturalmente, num ataque epileptiforme, ou em algum outro equivalente afetivo do ataque, como, por exemplo, em poriomania, cleptomania, dipsomania ou thanatomania.<sup>10<\/sup><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">O instinto do Caim e suas consequ\u00eancias<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>Instinto Paroxismal <em>e<\/em>&#8211; <em>hy<\/em>+:<\/strong> <em>O puro Caim.<\/em> Armazenamento de ira, \u00f3dio, c\u00f3lera, vingan\u00e7a, inveja e ci\u00fames; ambi\u00e7\u00e3o de ensinar o mal. Guiam no comportamento: a falta de consci\u00eancia, injusti\u00e7a, intoler\u00e2ncia, maldade, ate\u00edsmo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">O ego \u00e9, a nosso ver, tamb\u00e9m o respons\u00e1vel de que determinadas pessoa deixem atual o Caim, na cena da vida com todos os afetos grosseiros em lugar do irm\u00e3o Abel. No perfil instintivo esta rea\u00e7\u00e3o \u00e9 a imagem do <em>puro Caim<\/em>, do assim chamado homem mal.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">A maldade de Caim nutre-se de duas tend\u00eancias. Primeiramente, armazena em si os afetos grosseiros (ira, \u00f3dio, c\u00f3lera, vingan\u00e7a, inveja, ci\u00fames). Em segundo lugar, quer fazer voar estes afetos grosseiros na primeira oportunidade que se apresente. Portanto, Caim n\u00e3o se envergonha de ser o irm\u00e3o mal.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Junto \u00e0s predisposi\u00e7\u00f5es heredit\u00e1rias, o que determina o destino afetivo do \u201cser Caim\u201d na vida de cada um, s\u00e3o principalmente os erros na educa\u00e7\u00e3o na mais tenra idade. Com frequ\u00eancia, entre irm\u00e3os rivais, desenvolve-se reivindica\u00e7\u00f5es Cain\u00edticas naquele que recebeu de seus pais menos amor. Tem o impulso de desejar a morte de seu rival ou inclusive do pai injusto. O destino tr\u00e1gico do Caim come\u00e7a, portanto, no in\u00edcio da inf\u00e2ncia. \u00c0 noite s\u00e3o com frequ\u00eancia enur\u00e9ticos obstinados (faz xixi na cama, dormindo), de dia se encolerizam facilmente e por seus atos de vingan\u00e7a causam muitos danos em casa e na escola.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Estes Cainitas tendem sempre \u00e0 generaliza\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, \u00e0 amplifica\u00e7\u00e3o do \u201ccampo de ci\u00fames\u201d, j\u00e1 que at\u00e9 em seus \u00eaxitos profissionais sentem-se tamb\u00e9m menosprezados; assim, paulatinamente, v\u00e3o alargando constantemente o c\u00edrculo de pessoas contra as quais abrigam ira e \u00f3dio, invejosos e ciumentos de seus \u00eaxitos. Encontramos principalmente a estes Cainitas entre fabricantes, comerciantes, cientistas, literatos, pol\u00edticos que n\u00e3o tiveram o \u00eaxito esperado ou o reconhecimento. N\u00e3o poucas vezes se transforma o \u201cCaim enur\u00e9tico\u201d num cr\u00edtico cient\u00edfico ou um cr\u00edtico liter\u00e1rio, transformando assim, mais adiante, o \u201curinar obstinado na presumida ci\u00eancia\u201d e que de forma intolerante e desapiedada \u201csalpica\u201d a qualquer autor que tenha alcan\u00e7ado liter\u00e1ria ou cientificamente mais que ele, que como um infeliz \u201cCaim de caneta\u201d s\u00f3 se escraviza de sua vingan\u00e7a em uma reda\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">N\u00e3o se pode ser mal, com estes Cains. Seu destino provoca antes uma compaix\u00e3o que desprezo. <em>O Caim b\u00edblico estrangulou seu irm\u00e3o por seu amor infinito a Deus Pai,<\/em> uma circunst\u00e2ncia que se esquece facilmente ao julg\u00e1-lo. Estas presun\u00e7osas naturezas Cain\u00edticas equivocam as medidas em toda aventura pol\u00edtica e se convertem nos caluniadores e denunciantes mais brutais durante uma revolu\u00e7\u00e3o ou uma ditadura.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">S\u00f3 um pequena parte dos Cainitas atentam contra um inimigo hipot\u00e9tico com um feito afetivo irrevog\u00e1vel (homic\u00eddio furioso e f\u00faria por ci\u00fames). Outra parte oculta suas reivindica\u00e7\u00f5es Cain\u00edticas por tr\u00e1s de uma atividade pseudocient\u00edfica social permitida. S\u00f3 uma porcentagem reduzida de todos os Cains escolhem o caminho da convers\u00e3o. N\u00e3o obstante, uma quinta parte da Humanidade s\u00e3o Cains; sua frequ\u00eancia \u00e9, contudo, menor que a das diversas varia\u00e7\u00f5es dos \u201cAb\u00e9is\u201d, que chegam a algo mais de 1\/3 da popula\u00e7\u00e3o m\u00e9dia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Apesar de que o Caim puro mant\u00e9m a seu mais doce irm\u00e3o Abel no inconsciente, inclusive o psic\u00f3logo profundo com pouca frequ\u00eancia consegue girar a cena da vida afetiva do mal ao bom, provavelmente porque o meio ambiente \u00e9 incapaz tamb\u00e9m de amar a seus inimigos \u201cCains\u201d, e de convenc\u00ea-los com amor e carinho perseverante, j\u00e1 que na vida com amor tudo resulta mais f\u00e1cil que com maldade.<sup>11<\/sup><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Todas estas reflex\u00f5es abrem espa\u00e7o para um universo novo e impensando, desconstruindo as teorias antigas como verdades absolutas e reconstruindo um mundo onde todos est\u00e3o certos nas partes observadas das suas posi\u00e7\u00f5es relativas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Nesta vis\u00e3o abre-se a possibilidade de substituirmos os infind\u00e1veis \u201cjogos de poder sadomasoquistas\u201d dos \u201copressores x oprimidos\u201d por uma sociedade complexa e acolhida sob uma \u00fanica identidade: a de sermos todos Homo sapiens!<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">E esta nova Humanidade substitui o Sadomasoquismo de Thanatos pelo Amor de Eros, numa ascens\u00e3o sem quedas e num crescimento permanente rumo ao bem de todos, sem l\u00edderes patol\u00f3gicos e onde as diferen\u00e7as ser\u00e3o secund\u00e1rias \u00e0 nossa igualdade!<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Para concluir, mais um pensamento de Szondi:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">\u201cA dignidade e a responsabilidade do homem residem, entre outros, na capacidade de carregar conscientemente o pr\u00f3prio destino. E ele se reveste de dignidade precisamente por ser o \u00fanico ser vivo que tem capacidade de conscientizar. Por\u00e9m, for\u00e7ado a superar antagonismos entre liberdade e compuls\u00e3o, entre a pr\u00f3pria personalidade e a heran\u00e7a familiar, carrega o pesado fardo da vida humana\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Paulo Maciel<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">26\/01\/2024<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Fontes:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">1 https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Zoroastrismo<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">2 pt.wikipedia.org\/wiki\/T\u00e1bula_rasa#:~:text=Locke%20detalhou%20a%20tese%20da,\u00e9%20aprendido%20atrav\u00e9s%20da%20experi\u00eancia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">3 https:\/\/cursolivrepsicologia.webnode.page\/news\/a-mente-e-uma-tabula-rasa-\/<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">4 https:\/\/www4.pucsp.br\/pos\/cesima\/schenberg\/alunos\/eduardoaugusto\/Incosciente1.htm<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">5 Plomin R, DeFries J, McClearn G, McGuppin P, \u201cGen\u00e9tica do Comportamento\u201d, 2011, Ed. Artmed. p.245<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">6 Idem, p.246<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">7 Szondi, L. Tratado del Diagnostico Experimental de los Instintos. Ed. Biblioteca Nueva, Madri, 1970.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">8 Idem, p76.<\/span><\/p>\n<ol start=\"9\">\n<li><span style=\"color: #000000;\">Idem pp. 99-100.<\/span><\/li>\n<li><span style=\"color: #000000;\">Idem pp. 102-103.<\/span><\/li>\n<li><span style=\"color: #000000;\">Idem pp. 116-117.<\/span><\/li>\n<\/ol>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p> A principal cren\u00e7a da polariza\u00e7\u00e3o cultural humana \u00e9 a luta entre o Bem e o Mal e todos acreditam que \u201cum dia o Bem vencer\u00e1 o Mal\u201d e que todos est\u00e3o \u201cdo 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