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Mesaísmo

O Mesaísmo e as outras teorias políticas

As teorias políticas têm o sufixo “ismo”, elemento que vem do grego (ισμός) e que indica uma ideologia: “um sistema a ser seguido, algo consolidado como regra, ou que se acredita ser uma regra”. Ex: Capitalismo, Socialismo, Fascismo, etc.

Portanto, o “ismo” designa “um conjunto de crenças ou doutrinas de um determinado grupo (religioso, filosófico, étnico, político, etc.)”, justamente o que eu proponho extinguir nesta minha teoria política! Mas, a partir do conceito, é impossível criar um sistema de pensamento sem criar ao mesmo tempo uma ideologia… O próprio Anarquismo é uma doutrina ideológica (O Anarquismo é uma ideologia política que se opõe a todo tipo de hierarquia e dominação, seja ela política, econômica, social ou cultural)!

Então busquei encontrar uma saída flexível o suficiente para ter uma teoria que seja a mais eficaz e também o menos danosa possível para a sociedade, já que o que as ideologias criam é justamente o conceito de que o outro não só ‘está errado’, como também ‘é o inimigo’, que deve ser convertido ou destruído, muitas vezes gerando genocídios abomináveis!

Inicialmente para isto, eu pensei na proposta do “centro radical” da Terceira Via de Anthony Gidens, que defende um “Estado necessário”, em que sua interferência não seja, nem máxima, como no socialismo, nem mínima, como no liberalismo e também defende, entre outros pontos, a responsabilidade fiscal dos governantes, o combate à miséria, uma carga tributária proporcional à renda, com o Estado sendo o responsável pela segurança, saúde, educação e a previdência; mas ela ainda é uma ideologia socialdemocrata, ou seja polarizada no centro-esquerda…

Também não quero sugerir uma teoria fisiologista como o nosso PMDB brasileiro, que se define como “de Centro”, mas que pende para o lado que está no poder, para nunca sair do comando… Alguns destes conceitos são interessantes de serem levantados aqui: O Wikipedia define o PMDB como sendo de Espectro Político “de Centro”, mas tendo uma ideologia “fisiologista, de sincretismo político e de Partido Pega-tudo”!

Na política, um “partido pega-tudo”, também “partido-ônibus” (catch-all party, definição de Otto Kirchheimer de 1966), é um partido político que busca atrair pessoas com diversos pontos de vista. O partido não exige a adesão a alguma ideologia como critério para a adesão.1

Na política brasileira um termo que surgiu em 1987 durante a Assembleia Constituinte foi o de “Centrão”,  referindo-se a “um conjunto de partidos políticos que não possuem uma orientação ideológica específica e tem como objetivo assegurar uma proximidade ao poder executivo de modo que este lhes garanta vantagens e lhes permita distribuir privilégios por meio de redes clientelistas”2. Apesar do nome, o Centrão “não se trata necessariamente de um grupo de espectro político-ideológico centrista, mas de um agrupamento de siglas geralmente composto por parlamentares do “baixo clero” que atuam conforme seus próprios interesses, ligado a práticas fisiológicas”, o que contamina a sua prática política.

O Fisiologismo é um tipo de relação de poder político em que ações políticas e decisões são tomadas em troca de favores, favorecimentos e outros benefícios a interesses privados, em detrimento do bem comum. É um fenômeno que ocorre frequentemente em Parlamentos, mas também no Executivo, e está estreitamente associado à corrupção política, uma vez que os partidos políticos fisiologistas apoiam qualquer governo – independentemente da coerência entre as ideologias ou planos programáticos – apenas para conseguir concessões deste em negociações delicadas.3

Sincretismo político refere-se à política externa ao espectro político convencional esquerda-direita. O termo foi derivado da ideia de sincretismo (religião sincrética). O sincretismo político toma posições de neutralidade, através da combinação de elementos associados com a esquerda e com a direita, para alcançar uma meta de reconciliação. Uma vez que este conceito genérico é definido pela negação dos dois polos de um determinado padrão político baseado num espectro unidimensional, que se refere a abordagens bastante heterogêneas.4

Então, o que eu estou propondo é algo parecido com o Sincretismo Político ou o Sincretismo Religioso:

Sincretismo é a reunião de doutrinas diferentes, com a manutenção embora de traços perceptíveis das doutrinas originais. Possui, por vezes, um certo sentido pejorativo na questão da artificialidade da reunião de doutrinas teoricamente incongruentes entre si. Frequentemente, quando se fala em sincretismo, se pensa no sincretismo entre diferentes religiões, no chamado sincretismo religioso.5

A diferença da minha teoria é o fato de que no Sincretismo Religioso normalmente cria-se uma nova religião – como a Umbanda (união do Catolicismo, Espiritismo e Candomblé) e o Sikhismo (união do Hinduísmo com o Islamismo), com toda a estrutura de uma religião nova e específica; e no Mesaísmo a teoria política não tem uma estrutura fixa, rígida e predefinida; ela apenas sugere que cada sociedade seja vista (sem o viés de qualquer ideologia conhecida) em sua complexidade dinâmica, composta de pessoas, meio ambiente, culturas, Estado, empregados e empregadores, onde os políticos são apenas funcionários públicos contratados temporariamente para gerenciar esta sociedade multifacetada.

No Mesaísmo os políticos e os povos deixam de defender o Estado (Fascismo) ou a produção de riquezas (Capitalismo) ou o trabalho (Socialismo) ou o Meio Ambiente (Partido Verde), nem isoladamente, nem preferencialmente.

No caso mais tradicional da polarização Direita x Esquerda, a teoria seria assim representada:

Onde o símbolo    representa o Mesaísmo.

A palavra Mesaísmo é um neologismo que criei para definir este conceito filosófico, composto pela palavra grega “μέσoς” (Meio) e pelo sufixo “ισμός” (Ideologia), ou seja: Mesaismo é a “Teoria do Meio Termo” (μέσαισμός = mesaismós).

Mas como a sociedade é muito maior do que esta dualidade simplista, podemos relocar a posição da teoria na medida em que a complexidade se apresenta.

Ao inserirmos o Nazifascismo, como a “Terceira Posição” (ler o artigo do “Fascismo como Terceira Via”), surge uma posição de centro triangular:

E ao incluirmos a doutrina da “Quarta Posição” do russo Aleksandr Dugin, o Mesaísmo centro aparece no quadrado:

Esta composição poderia ir se multiplicando a cada teoria política adicionada, mas creio que já aqui se torna claro a posição filosófica do Mesaísmo: Ele sempre caminha para o Centro!

Finalmente, utilizando-nos de uma figura que encontrei em um site defensor do Anarquismo, chegamos a esta imagem impressionante:

O Mesaísmo, sendo uma teoria política de Centro, abandona completamente a dialética atual entre “Capitalismo x Socialismo”, que são baseadas na Economia (produção de Capital e de Trabalho), para dar um salto conceitual e se focar no “Ser Humano” que produz capital e trabalho.

Sempre que as teorias políticas são focadas nas questões econômicas o ser humano fica em segundo plano, apenas como um ‘agente social de produção’ e não como o fim último de todo o propósito da Humanidade!

Neste sentido o Mesaísmo é uma teoria muito mais Humanista do que Econômica, mas não como o “Humanismo” iniciado na Itália no século XV com o Renascimento, que rompeu com o Teocentrismo (Deus como centro de tudo) e focou no Antropocentrismo, passando o homem a ser o centro de interesse. Esta ruptura com a religião criou um movimento que rejeitava todas as teologias e a metafísica, que não é objetivo do Mesaísmo.

Aqui o sentido está mais próximo do “Humanismo Universalista”, que possui como principais valores o de ser internacionalista e aspirar uma nação humana universal, porém sem propor um mundo uniforme, mas múltiplo em suas etnias, línguas e costumes; múltiplos nas crenças, tanto no ateísmo quanto nos teísmos, sem “donos da verdade” e focado na ‘não violência ativa’ como meio de atuação no mundo.

Em um sentido amplo, o Humanismo que interessa ao Mesaísmo é aquele que valoriza o ser humano e a condição humana acima de tudo, estando relacionado com generosidade, compaixão e preocupação em valorizar os atributos e realizações humanas, não aceitando passivamente verdades absolutas, dogmas e matrixes de qualquer natureza.

Em resumo: Todos se igualam pela sua humanidade e todas as outras diferenças são secundárias a ela, havendo o respeito a todas as crenças, características e matrixes humanas!

Depois disso poderemos evoluir para os conceitos do “Homo conexus” e do “Transumanismo”, que serão abordados em outros lugares desta teoria.

Quais são as principais vantagens de uma sociedade aderir ao conceito do Mesaísmo?

Algumas delas são:

  1. Evita-se o tempo todo os extremismos de qualquer natureza: nunca mais existiriam fenômenos como “Extrema Direita”, “Extrema Esquerda”, “Fascismo”, Ditaduras, etc.
  2. Por estar no centro, fica mais fácil chegar a qualquer um dos aspectos da sociedade, com mais agilidade, facilidade e liberdade; como não se defende nenhuma ideologia dialética, a operacionalidade é mais factível.
  3. Não haveria mais quantidades enormes de partidos que disputariam de forma legal ou ilegal as vagas nas cadeiras políticas, defendendo as dialéticas e atacando seus opositores pelo fenômeno da “Janela de Overton”, muitas vezes destruindo quase tudo o que o partido anterior construiu, apenas por questões teórico-partidárias.
  4. Os partidos diferentes seriam apenas montados por afinidades entre os seus componentes (o que é comum na sociedade humana) ou por diferentes competências, mas sem criarem grandes diferenças políticas, econômicas e filosóficas.
  5. Por estar no Centro do espectro político, o Mesaísmo é mais pacífico por não criar ódio ideológico, abrindo espaço para todas as pessoas contribuírem com suas capacidades, sem ferir a proposta do equilíbrio dinâmico.
  6. Por ser uma teoria dinâmica, que acompanha naturalmente a evolução da sociedade (seja ela economicamente, tecnologicamente, culturalmente, etc.), ela está sempre aberta aos questionamentos coletivos ou individuais, às contribuições locais e à revisão das suas escolhas de diretrizes e resultados.
  7. Mesmo vivendo em uma sociedade globalizada, a teoria sugere que sejam respeitadas as diferenças de cada local, seja ele uma microrregião, seja um país ou continente: o que importa é encontrar soluções práticas para que cada grupo viva de forma saudável, sem priorizar padrões de sociedades mais ricas ou influentes, nem aceitar dominações culturais e econômicas dos países mais ricos ou poderosos.
  8. Mesmo conhecendo, aceitando e incorporando todas as teorias políticas existentes, o que é fundamental é o resultado final das suas teorias colocadas em prática. Como diziam os gregos, “contra os fatos não existem argumentos”.
  9. Para que todas estas premissas possam ocorrer verdadeiramente em nosso planeta, cada questão deve ser analisada no seu impacto específico na sociedade como um todo; por exemplo: extrativismo, custo de produção, valor de mercado, influências bancárias, acúmulo de riquezas, etc., devem ser sempre avaliados frequentemente para amenizar ou coibir excessos de qualquer natureza.
  10. Enfim, o Mesaísmo se propõe a olhar para tudo e para todos com responsabilidade, compaixão e competência, criando uma sociedade mais humana, em toda a amplitude que se pode entender pelo conceito do que é “ser humano”.
  1. https://pt.wikipedia.org/wiki/Partido_pega-tudo
  2. https://pt.wikipedia.org/wiki/Centrão
  3. https://pt.wikipedia.org/wiki/Fisiologismo
  4. https://pt.wikipedia.org/wiki/Sincretismo_político
  5. https://pt.wikipedia.org/wiki/Sincretismo

Paulo Maciel

12/02/2018